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Isabella e Erick: um casamento em vários atos no Teatro L’Occitane, em Trancoso

Cortinas terracota, jazz e um bolo de três metros compartilhado com os padrinhos deram forma à celebração de Isabella Markman e Erick Brito, que reuniu cerca de 170 convidados na Bahia.

Fotos: Michael Brito

No alto das escadarias do Teatro L’Occitane, Isabella Markman encontrou o pai antes de seguir para a cerimônia. Ele ainda não a tinha visto vestida de noiva. Os dois chegaram por lados opostos e, quando se encontraram, ele colocou seu véu. Acostumada ao jeito reservado e prático do pai, Isabella viu uma emoção que guardaria entre as lembranças mais importantes daquele dia.

Era 26 de setembro de 2026. Em Trancoso, na Bahia, ela e Erick Brito reuniam cerca de 170 convidados para um casamento pensado como uma peça em vários atos. A inspiração teatral aparecia na cenografia, nas mudanças de ambiente e na música. Mas eram gestos como aquele, antes da descida da escadaria, que davam sentido ao roteiro.

Uma história que começou em Miami

Isabella e Erick se conheceram em Miami, quando ela trabalhava no editorial de uma revista e organizava eventos duas vezes por mês. Ele, amigo de uma colega de trabalho, frequentava os encontros. Levou algum tempo até que os dois finalmente se conhecessem de verdade.

Ela tinha acabado de sair de um relacionamento longo e pretendia passar um período sozinha. O plano durou pouco. Um mês depois, Erick a pediu em namoro. Com dois meses de relação, viajaram juntos para o Havaí; com três, já dividiam a mesma casa.

“O Erick é a convivência mais fácil da minha vida”, conta Isabella. Nos votos, ela voltou à aparente falta de timing do começo: “A pessoa certa, na hora errada. Mas será mesmo que existe hora errada quando alguém faz questão de ficar?”

Vintage com borogodó

Para o casamento, Isabella tinha referências muito próprias. “Vintage com borogodó”, atmosfera marroquina e cabaré tropical apareciam na mesma proposta, em uma paleta de tons terrosos. Sua mãe, de gosto mais clássico, teve dificuldade para imaginar o resultado. A noiva, por sua vez, sabia que queria reconhecer a história dos dois em cada escolha.

“Tenho uma alma antiga, como diz a minha avó”, explica. A paixão por objetos com memória ajudou a orientar o projeto desenvolvido com Julia, da Museu de Grandes Novidades. A ideia era fazer os convidados se sentirem dentro de um filme antigo, com diferentes cenários ao longo da celebração.

Na chegada, MPB ao vivo, água de coco servida no próprio coco e um lounge com tecidos marrons e arranjos imponentes recebiam os convidados. Na recepção, as fotografias mostram mesas com tecidos em tons quentes, velas, peças de aspecto antigo e luminárias com franjas, que reforçavam o clima intimista.

A cerimônia no teatro

O ato principal aconteceria diante de grandes cortinas terracota, que vestiam parte da arquitetura de concreto do teatro. Músicos distribuídos entre os convidados aproximavam a trilha sonora de quem acompanhava a cerimônia.

Depois do encontro com o pai, Isabella desceu a escadaria ao seu lado. Os votos do casal, os discursos dos melhores amigos e a participação de seu irmão mais novo deram à celebração um caráter pessoal. A condução ficou com o pastor ligado à família de Erick. A avó da noiva entrou com as alianças.

“Parecia uma peça de amor, mas, dessa vez, era a vida real”, lembra Isabella. Para o casal, que vive fora do Brasil e construiu laços familiares também nas amizades, era importante que essas pessoas participassem dos momentos centrais do casamento.

Os vestidos de Isabella

A moda acompanhou o gosto da noiva por referências de outras épocas. Para o vestido principal, Isabella escolheu Rebeca Nepomuceno. Nas imagens, o modelo aparece com decote sem alças, corpo ajustado e saia volumosa, marcada por drapeados e uma cauda longa. O véu com detalhes de renda completa a composição.

Os retratos diante das cortinas terracota e do painel de tapetes destacam o contraste do vestido claro com a cenografia. Um segundo vestido, assinado pela Noor Atelier, também integrou as escolhas da noiva. Para Isabella, as duas criações traduziram sua identidade a partir do olhar de cada estilista.

Jazz com sotaque baiano

Após a cerimônia, a música abriu outro capítulo. Isabella queria jazz, clássicos e referências como Olivia Dean, com a personalidade de Trancoso. Encontrou esse encontro na voz de Safia Benamar, cantora franco-marroquina que, segundo a noiva, vive na Bahia há mais de 20 anos.

A descoberta aconteceu em março, nos stories do fotógrafo Michael Brito. Safia aparecia cantando descalça em um boteco, com uma echarpe de plumas. Isabella decidiu ali que queria aquela presença no casamento. O resultado foi o que ela descreve como um cabaré baiano.

Três metros de bolo para compartilhar

O corte do bolo foi pensado para envolver os padrinhos. Erick gosta especialmente de sobremesas com morango, um gosto já conhecido pelos amigos. A escolha foi um bolo de três metros de comprimento, com recheio e morangos frescos, feito para ser dividido ali mesmo.

Cada padrinho recebeu sua própria espátula. Juntos, fizeram o corte, formularam um pedido e provaram o bolo. “Queríamos que fosse um momento intencional, de presença e de partilha com nossos padrinhos”, conta Isabella.

A prataria antiga acrescentou uma lembrança de família: as taças, garimpadas em antiquário para a ocasião, remetiam a uma tradição da casa da avó da noiva. Um costume íntimo passava a fazer parte da celebração com os amigos.

A festa e seu último ato

Um paredão de tapetes persas compunha o fundo do DJ e reforçava a inspiração marroquina. Na pista, houve também uma surpresa familiar. Breno Rocha preparou um remix com músicas do irmão de Erick, produtor musical conhecido pelos amigos como Wey. Ele pegou o microfone, subiu ao palco e transformou o momento em um show.

A noite ainda reservava a “matinha”, como Isabella chama o espaço que ganhou uma nova atmosfera com a iluminação. A mudança surpreendeu os convidados. Eletrônico, axé, funk baiano e rock nacional fizeram parte dessa passagem por diferentes ritmos.

Uma celebração para as pessoas de casa

O cuidado com os convidados começou antes da festa. A identidade visual, desenvolvida por Marina Camargo ao longo de um ano, apareceu no site, no convite e em peças como caixas de fósforos, estampas personalizadas, leques e kits de boas-vindas. O fim de semana foi pensado para reunir as pessoas mais próximas do casal.

Ao recordar o casamento, Isabella volta a esse desejo de pertencimento: “Queríamos que cada convidado se sentisse 100% parte de tudo, de cada grande momento aos pequenos detalhes.” No teatro, a família e os amigos tiveram lugar nos votos, na música, no corte do bolo e nas memórias que os dois levaram de Trancoso.

Confiram mais registros oficiais desse dia mágico que Isabella e Erick viveram ao lado das pessoas mais importantes das suas vidas.

 


FICHA TÉCNICA

Assessoria – @lecult
Bolo – @laisalmeida_bolos
Decoração – Museu de Grandes Novidades • @museudgn
DJs – @djbrenorocha • @kelner
Fotografia – @michaelbrito • @_seamo
Gráfica – @veloxconvites
Identidade visual – @bymarinacamargo
Iluminação e som – @proporsomeventos
Jazz – @safiabenamar
Local – @teatroloccitane
Maquiagem – @gesibelan
Vestido (1) – @rebecanepomucenobrasil
Vestido (2) – @noor.atelier
Storymaker – @fiducia.ae
Vídeo – @zanifilmes

 

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